Queda dos juros anima o setor imobiliário

Financiamento imobiliário deve voltar a crescer em 2018. Pelo menos essa é a expectativa do setor após uma redução de quase 60% ao longo dos últi- mos três anos, conforme dados da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip). O último corte na Selic (taxa básica de juros) e a perspectiva de melhora
do cenário econômico reani- mam o setor e podem atrair os compradores, desde que os bancos acompanhem a queda das taxas.

Dados do Bando Central de- monstram que, ao longo do ano passado, os juros pós-fixados praticados pelos bancos que oferecem financiamento imobiliário com taxas reguladas, utilizando recursos da poupança (SBPE) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), variaram de 6,51% a 10,48% nas instituições bancárias.

Os financiamentos imobiliários do SBPE totalizaram R$ 101 bilhões em 2017, montante 12,2% menor do que o registrado em 2016, de R$ 115 bilhões,
ainda de acordo com levantamento da associação.

Para o diretor de política habitacional da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (AdemiPE), Genildo Valença, para reverter esse quadro negativo do ano passado, é preciso que a inflação, que ficou em 0,29% em janeiro, continue baixa e estimule a continuidade das reduções na taxa básica de juros. “Não adianta reduzir taxa com inflação alta. O governo está ancorado na inflação em queda. A taxa Selic é sustentável se a inflação se mantiver estável. É importante que o setor tenha mais confiança para que os empresários retomem seus lança- mento, já que também sentimos a redução na produção e na compra do imóvel na planta. Com a aprovação das reformas que vêm sendo anunciadas
pelo governo, todos passam a ganhar, porque voltamos a girar a roda da economia. O cenário de 2018 tende a ser bastante positivo”, aponta.

Outro empecilho que trava o avanço do setor são as restrições de capital e funding da Caixa Econômica Federal (CEF). No ano passado, o mercado de financiamento imobiliário teve as suas projeções afetadas. “Vai depender de quão rápido o banco público vai resolver essas questões. Se conseguir equacioná-las e voltar rapidamente ao setor, a Caixa pode até beneficiar o segmento em 2018”, garantiu
o presidente da Abecip, Gilberto Abreu, em entrevista à Agência Estado

Em 2017, a CEF seguiu na liderança do financiamento imobiliário com recursos da
poupança, respondendo por 38,1% do crédito para aquisição e construção, com um total de R$ 16,4 bilhões. Na sequência, estiveram Itaú Unibanco (19,8%, R$ 8,5 bilhões), Bradesco (18,3%, R$ 7,9 bilhões), Santander (14,4%, R$ 6,2 bilhões) e Banco do Brasil (6,4%, R$ 2,8 bilhões). No período foram financiados 175,62 mil imóveis nas modalidades de aquisição e construção no exercício, contra 199,69 mil unidades financiadas em 2016.

 

Fonte: Jornal do Commercio

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