Startup incorpora realidade virtual à construção civil

Se o setor da construção civil ainda é considerado tradicional diante de outros que movimentam a economia brasileira, as startups são apontadas como um caminho para implementar a tecnologia no segmento de forma mais rápida. E elas estão atentas às necessidades do setor e despontam, cada vez mais, com novas soluções. A ORB Estúdios trabalha no desenvolvimento de experiências em realidade virtual e aumentada. Ela atua para vários mercados e, na construção civil, é capaz de ajudar as duas pontas do setor. Por um lado, as soluções geram economia para construtoras e, por outro, garantem uma experiência mais completa ao cliente que deseja comprar um imóvel. E as expectativas da ORB para este ano são boas, com estimativa de crescer 400%.

A ORB Estúdios levou um ano e meio entre o desenvolvimento e a pesquisa até ser lançada e, depois do período que ficou encubada em outra empresa, está rodando em carreira solo há cinco meses. A startup atua em três áreas, na construção civil e também em treinamentos e marketing. “Entramos no ramos da construção porque ele é extremamente carente e também porque ele se encaixa perfeitamente com a solução, tem uma sinergia muito grande”, explica o sócio Bruno Salvetti, que está à frente da empresa ao lado de Débora Rodrigues e Milton Neto. “Estamos investindo nesta área porque existe uma tendência boa e podemos ajudar a zerar os estoques. Até porque o número de lançamentos diminuiu muito”, completa.

O primeiro lado beneficiado é o das construtoras, que podem até economizar ao adotar as soluções tecnológicas. “Elas têm custo para construir um estande de vendas ou um apartamento decorado e a ORB leva isso de forma simples até o cliente. Ainda existe um receio em relação ao custo, mas para montar um showroom físico hoje com um apartamento de 90 metros quadrados, a construtora vai gastar em torno de R$ 140 mil para fazer o apartamento decorado. Com um terço desse valor ou menos, ele consegue fazer o apartamento virtual, inclusive mostrando a área comum e uma ou duas opções de planta”, diz.

A facilidade de levar o produto até os clientes pode ser um diferencial para quem pretende vender um lançamento, como também para as construtoras que estão com estoque. “Posso pegar um imóvel na planta, mostrar várias possibilidades, com diferentes números de quartos, ou mesmo um em estoque, decorar virtualmente e ajudar a zerar esse que é um problema atual. Posso ainda mostrar um apartamento no Paiva para um investidor que está em São Paulo ou em Dubai, por exemplo”, explica o sócio. Além disso, o interessado em comprar vai ter uma noção maior do empreendimento, levando em consideração que as áreas comuns podem ganhar projeções. “Hoje em dia existe uma tendência de apartamentos menores com áreas comuns mais equipadas. A área comum se torna um argumento de venda e o cliente vai ter total noção do que está disponível”.

As soluções podem ser dimensionadas e otimizadas para performance com o uso dos óculos de realidade virtual ou não. “Com os óculos, a sensação de realidade é ainda maior. E, como tem custo, a gente trabalha até com aluguel, enquanto a construtora mantém a estrutura de vendas. Além disso, ela pode ter a experiência completa de um estande de vendas em apenas 10 metros quadrados”, conclui.

Cresce aceitação para novas tecnologias

Apesar de ainda engatinhar quanto à introdução da tecnologia na construção civil, Pernambuco já tem empresas que trabalham com isso e também construtoras que aderem às soluções. Além disso, apesar de a aceitação estar crescendo, o cliente também precisa absorver os avanços tecnológicos. O setor tem à disposição a realidade virtual e a aumentada. Na primeira, o comprador do imóvel que faz uso da solução, tendo a possibilidade de ter uma noção maior do que está sendo vendido, visualizando o apartamento ou a área comum. Na segunda, o benefício é para o construtor, que consegue acompanhar as etapas da construção, sobrepondo instalações e solucionando problemas nas estruturas.

Para José Antônio Simon, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), o uso das tecnologias é uma vantagem para as construtoras, principalmente em relação aos custos. “A economia na confecção de um apartamento modelo para a venda é muito grande”, explica. Além disso, o nível de detalhes levado aos clientes também se mostra como um ponto positivo. “Quando o cliente vê ao vivo, o imóvel nunca vai estar do seu inteiro gosto e a realidade virtual proporciona uma identificação maior porque o que o comprador não gostou pode ser trocado com facilidade”, ressalta. “Essa questão é psicologicamente importante porque aquela imagem vai ficar na cabeça de cada um por ser mais personalizada”, acrescenta.

Para ele, as construtoras já estão adotando as soluções tecnológicas e o setor tem utilizado as formas de economia que não dependem dos clientes. Mas que todo o processo precisa ser trabalhado com os possíveis compradores porque não adianta investir se eles não aceitarem os avanços. “Não adianta ter economia com a realidade virtual se o cliente não absorver a importância. E acredito que ainda existe um apego ao espaço físico, principalmente nas faixas mais baixas. Por mais realidade que a construtora ofereça com a tecnologia, muitos clientes ainda querem pisar e ver a coisa acontecendo. Essa é uma mudança de mentalidade que ainda precisa acontecer de forma mais concreta”, afirma José Antônio Simon.

Fonte: Diário de Pernambuco
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