Presidenciáveis prometem reformas e atenção especial ao setor produtivo em evento da CNI

Aprovação de reformas estruturantes nos primeiros seis meses de mandato e adoção de medidas que induzam a recuperação da economia pelo reaquecimento do setor produtivo são os pontos de convergência nas plataformas apresentadas por seis pré-candidatos à presidência da República durante o segundo dia do Encontro Nacional da Indústria (Enai) 2018, realizado nesta quarta-feira (04/07) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. De um modo geral, todos os postulantes sinalizaram compromisso com as reformas da Previdência e  tributária já no início do mandato presidencial e reconheceram a importância da indústria para um novo ciclo de desenvolvimento no país. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, foi um dos representantes da indústria escolhidos para perguntar aos presidenciáveis, no caso o pré-candidato Ciro Gomes, que respondeu a três perguntas, uma delas formuladas por Martins.

O Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência teve como pano de fundo um conjunto de propostas da indústria, formuladas por intermédio de 43 documentos contendo diagnóstico e soluções para os mais diversos temas da agenda nacional. “Essa tarefa precisa ser atrelada a um diálogo construtivo com os partidos políticos e à formação de uma base de apoio no Congresso Nacional, que permita a aprovação de reformas estruturais para fazer o país avançar”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, na abertura do evento.

A rodada de sabatinas foi aberta pelo pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, para quem as eleições de outubro definirão não apenas os próximos quatro anos, mas, principalmente, o futuro da próxima geração. Segundo ele, os primeiros seis meses de um eventual governo seu serão destinados à aprovação de reformas, começando pela Previdência. “Minha equipe já está trabalhando nas propostas”, avisou. Alckmin elegeu como prioridade também a reforma política e tributária. “Quero dobrar a renda do brasileiro, trazer investimento e restabelecer a confiança”, afirmou. Ex-governador de São Paulo, ele anunciou que planeja zerar o déficit público em um prazo de até dois anos, de forma que que o Estado possa retomar o investimento. Alckmin também defendeu a redução da administração pública e o restabelecimento da segurança jurídica no país. Pré-candidata da Rede Sustentabilidade, a ex-senadora
Marina Silva voltou a defender que a governabilidade seja ancorada em um programa de governo discutido durante a eleição e sinalizou que pretende propor uma reforma política. “É preciso um novo patamar de prioridades a partir de janeiro”, afirmou. Segundo ela, caso vença a eleição proporá uma revisão da reforma trabalhista para “corrigir  injustiças”. Marina também avaliou o impacto da operação Lava Jato, cujas descobertas colocam a prática política em xeque e exigem uma nova forma de atuação.

A redução da burocracia e a desregulamentação da economia serão as medidas do próximo governo para contribuir com a recuperação da atividade produtiva e da confiança do empresário. Essas são as prioridades apontadas pelo pré-candidato à presidência da República pelo PSL, deputado Jair Bolsonaro (RJ), caso seja eleito presidente. “É o governo não ficar no cangote do empresário, não lembrar dele só quando precisa de alguma coisa. É o governo entender que ele é o empregado e não o patrão, nessa questão”, disse. Bolsonaro enxerga dificuldades na aprovação de uma reforma da Previdência, mas defendeu que seja buscado algum avanço nesse campo. “A (conta da Previdência) mais onerosa é a pública. Acho difícil ser aprovada, mesmo com os cortes, mesmo mostrando que o avião vai bater na montanha”, afirmou.

O pré-candidato pelo MDB, Henrique Meirelles (MDB), disse que a reforma tributária terá prioridade absoluta em seu governo. A ideia, segundo o ex-ministro da Fazenda do governo Temer, é unificar os impostos de valor adicionado, como PIS, Cofins, ICMS e ISS, em uma única cobrança chamada Imposto de Valor Agregado (IVA). Após o recolhimento, o valor seria redistribuído a estados e municípios. Para Meirelles, a medida deixa a cobrança de impostos mais transparente e vai permitir aumento de arrecadação. “Dados do Banco Mundial mostram que um empresário gasta 2,6 mil horas por ano para pagar imposto, e não é trabalhando para gerar dinheiro para pagar o imposto, é em burocracia, em papel. Meu objetivo é reduzir para 200 horas, seguindo o padrão mundial. Temos que simplificar para ficarmos mais eficiente”, afirmou. Caso obtenha vitória nas urnas, a previsão é de que a mudança seja votada nos primeiros 100 dias de seu governo. Meirelles reforçou ainda que as reformas serão temas centrais na sua campanha. Segundo ele, os 15 projetos prioritários do atual governo continuarão na agenda, caso se eleja. Já o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) afirmou que, se vencer as eleições, seu governo traçará estratégias nacionais de desenvolvimento. Segundo o candidato, o País precisa de planejamento de médio e longo prazo, além de mudanças estruturais para retomar crescimento expressivo. Para o ex-governador do Ceará e exdeputado federal, é preciso enfrentar dois temas que considera os maiores adversários do crescimento do país: a taxa de juros e o câmbio. Em relação a investimento e financiamento, Ciro Gomes defendeu o papel dos subsídios e o ajuste de condições  adequadas para o financiamento público de grandes obras de infraestrutura. Se eleito, reiterou que reabrirá a discussão sobre a modernização das leis trabalhistas. Quanto às reformas, o pedetista afirmou que os seis primeiros meses de governo são estratégicos para discutir temas de alta relevância nacional, como as reformas tributária e previdenciária. Apresentando-se como uma via de mudança em meio a tradicionais políticos, o pré-candidato Álvaro Dias, do Podemos, disse que pretende iniciar um conjunto de reformas já nos 100 primeiros dias de governo para
mudar os rumos do país. O pré-candidato sugeriu redução brusca dos gastos com privilégios às autoridades e com folha salarial como medida para reequilibrar as contas. Entre os pilares, segundo ele, estarão as reformas da Previdência e tributária, além do enxugamento do Estado. De acordo com o senador, o país só voltará a ser sério quando o presidente da República resolver combater efetivamente a corrupção. “A tal refundação da República que eu apregoo começa na escolha dos ministros, os melhores para cada setor, e passa por um pacto nacional pela governabilidade”, afirmou. O pré-candidato do Podemos também defendeu mudanças na forma de indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o modelo atual no qual os magistrados são escolhidos pelo presidente da República favorece o entendimento de suspeição em relação às decisões tomadas pela Corte.

Fonte: Site CBIC com informações da CNI

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