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Imprensa

 
Diario de Pernambuco - Caderno de Economia
29 de Maio de 2007

Crédito imobiliário se volta para a classe média

Cosntrutoras investem no público com renda entre R$ 1,9 mil e R$ 5,7 mil

Roberto Cavalcanti
Da equipe do Diario

A redução nas taxas de juros e o retorno dos bancos privados aos financiamentos habitacionais mudaram o perfil do mercado imobiliário no país. Beneficiada diretamente pelas novas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), a classe média - com renda mensal entre R$ 1,9 mil e R$ 5,7 mil - deverá responder por pelo menos 40% do volume total de unidades negociadas até o final do ano. Em 2006 ela respondeu por 30% dos imóveis negociados. De olho nesse público, muitas construtoras estão investindo em apartamentos compactos de dois e três quartos, com preços variando de R$ 70 mil a R$ 200 mil. Em Pernambuco, onde o nível de renda é inferior ao do Centro-Sul, a demanda maior recai sobre as unidades avaliadas entre R$ 50 mil e R$ 130 mil. De acordo com os construtores, a busca por imóveis nesses padrões é tão dinâmica que praticamente não existem unidades disponíveis no mercado local.

A diretora de Relações Públicas e Marketing do Sindicato da Construção (Sinduscon-PE), Betinha Nascimento, afirmou que a grande procura por apartamentos entre R$ 70 mil e R$ 120 mil pode ser facilmente identificada pelo Índice de Velocidade de Vendas (IVV), elaborado pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). Ela explicou que apesar do estoque alto, cerca de 4,2 mil unidades, quase não existem imóveis destinados a quem ganha entre 5 e 15 salários mínimos. "A demanda intensa faz com que todos os empreendimentos dirigidos à classe média sejam negociados em tempo recorde, o que tem despertado o interesses dos construtores", destacou.

Betinha Nascimento disse que a principal dificuldade dos construtores em suprir a demanda das famílias com renda média de R$ 3,5 mil está na aquisição dos terrenos. Com os altos preços cobrados pelo metro quadrado nos bairros mais tradicionais e com melhor infra-estrutura, as construtoras têm corrido atrás de novas alternativas. Os principais focos das empresas para atender à classe média são os bairros da Torre, Parnamirim, Cordeiro, Casa Amarela e Cidade Universitária, que possuem terrenos a preços bem mais em conta do que Boa Viagem, Espinheiro e Graças.

A grande procura por imóveis até R$ 130 mil é comprovada pelo diretor da Construtora Falcão, Sérgio Falcão. Segundo ele, todos os 116 apartamentos ofertados pelo Villagio Residence, na Torre, foram vendidos em apenas três semanas após o lançamento. As unidades, de 73 metros quadrados e dois dormitórios, de acordo com o construtor, atendem perfeitamente às necessidades de uma família pequena de classe média, assim como as prestações no valor médio de R$ 600. Apesar do tamanho compacto, o edifício conta com toda infra-estrutura de lazer, incluindo piscina, ofurô, pista de cooper e salão de festas, o que funciona como um atrativo a mais para a classe média.

Quem ratifica a crescente demanda por imóveis nesta faixa de preço é a coordenadora da Unidade de Pesquisas Técnicas da Fiepe, Mônica Mercês. Ela assegurou que o IVV demonstra a dinâmica de mercado desse tipo de empreendimento, praticamente não registrado entreas unidades em estoque. O maior volume de imóveis ainda não negociados está situado nas faixas de preço acima de R$ 150 mil, e são destinados a um público diferenciado. "Construtoras como a Carrilho, que trabalha basicamente para a classe média, não enfrentam dificuldades de vendas, sendo todas as unidades negociadas ainda com o empreendimento na planta".



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